Acordes de violão
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Tirar música de ouvido – parte II

Opps! Pegou o bonde andando? Não viu a primeira parte? Clique aqui e comece do começo!

Pois então… continuando a falar sobre o “vício” das cifras.

Você talvez esteja curioso… afinal esse cara (eu…) visita sites de cifras ou não? Fica aí dando uma de metido… coisa e tal… e aí?

A verdade: é claro que eu visito sites de cifras. Olhar cifras não é que nem alcoolismo. Um alcoólatra é um dependente físico. Não existe ex-alcoólatra. O sujeito vai ser alcoólatra o resto da vida. O que existe é alcoólatra que parou de beber. Porém, este sujeito, se quiser continuar sóbrio, jamais poderá colocar sequer uma gota de álcool na boca. Nunca mais. Nada. Senão… volta tudo de novo.

No caso das cifras, nada impede que você, mesmo depois de aprender a tocar músicas sem consultar a cifra, volte a pegar algo no site. Não vai acontecer como no caso do alcoólatra. O que você aprendeu, aprendeu e pronto. Seu ouvido estará treinado.

Por isso eu não tenho problema algum em visitar sites de cifras. Mas na medida do possível, evito. Mesmo quando uma música é meio complicadinha, faço o esforço.

Mas vamos continuar…

O problema causado pelas cifras “fáceis”

O problema você já sabe… dependência. Mas há outros “efeitos colaterais”. Um deles é a associação de harmonia. É… eu inventei esse treco agorinha. E vou explicar o que eu quero dizer com isso.

Harmonia não é nada mais – explicando de forma simples – do que o conjunto de acordes que acompanha a música. Quando você acostuma a olhar sempre a cifra, sua mente acaba fazendo uma associação entre aqueles acordes, naquela ordem, para aquela música. Isso é bom e ruim. Bom, porque ao escutar a música você sabe os acordes e a ordem deles. Ruim, porque a sua mente irá ficar confusa para tocar em outra tonalidade. E ficar mais confusa ainda para tocar uma outra música na mesma tonalidade, porém com os acordes em ordem diferente. E mais confusão ocorrerá quando houver uma música diferente com os acordes na mesma ordem… Chiiiiiii… lascou!

O que acontece: você associou aquelas sequências de acordes apenas àquela música. Você associou também aquela música com aquela tonalidade. Você está “amarrado”!!!

Alguns anos atrás, um amigo me pediu para tocar uma música e me mostrou a letra com a cifra impressa. Eu olhei e vi que eram sequências simples de acordes. Mas a tonalidade não estava de acôrdo com a minha voz. Nem com a do meu amigo. Ele queria tocar junto comigo. Eu olhei a sequência de acordes, e toquei um tom abaixo, para adequar a tonalidade à minha voz.

Resultado: meu amigo ficou “pê da vida”. Encostou o violão de lado e não quis mais tocar. E me disse: “Você é doido! Vê A e toca G!!!”.

Veja como este meu amigo estava com a mente bloqueada. Eu tentei explicar que estava transportando a tonalidade, mas ele não quis mais conversa, hehehe!

Uma pessoa assim, se não tentar estudar mais, e compreender melhor a música, sempre vai ter dificuldade. Sempre vai achar que se está escrito “A”, tem que ser “A” e pronto. Agora vamos ver…

Como fazer para livrar-se das famigeradas cifras

Aí você toma a resolução: nunca mais vou olhar cifra nenhuma. E aprende a tirar as músicas por si mesmo. Certo? Errado. Lembre-se: você não é um alcoólatra. O alcoólatra só tem uma alternativa: parar de beber. E o simples parar de beber lhe é suficiente. Ele não precisa aprender a não beber.

O caso das cifras é diferente. Você não vai deixar de tocar suas músicas preferidas, vai? Isso não seria saudável. Aprender precisa ser divertido para funcionar. Então… você vai continuar indo lá no… site que você quiser, que eu não vou fazer propaganda de graça…

Mas.. vai tomar algumas providências para começar a tocar músicas sem consultar a cifra.

Usando o site de cifras para aprender

Você pode estar pensando que eu sou inimigo, que sou contra os sites de cifras. Muito pelo contrário. Porque eu fiz dos sites de cifras meus aliados. Quando olho uma música no site, eu penso:

“A música está em D (tonalidade D)”

E não

“A música é em D”

Percebeu a diferença? A tonalidade da música ali mostrada para mim não “É”. Para mim, “Está”. Porque “É” significa algo definitivo. Uma tonalidade só “É” para um determinado cantor. O cantor que gravou originalmente a música, geralmente vai cantar sempre numa mesma tonalidade. Um outro talvez precise cantar em outra tonalidade, mais alta ou mais baixa.

Por exemplo: se eu olho uma cifra de Zezé di Camargo… de que me adianta aquela tonalidade? Quem consegue cantar na tonalidade desse homem? Quase ninguém. Então… não é. Está. A música está na tonalidade do Zezé e eu preciso tocar em outra tonalidade.

Eis aí uma das primeiras providências que você deve tomar. Olhar as cifras diferentemente. Quando você vê uma sequência de acordes A, Bm, D, E… por exemplo… pode estar vendo: G, Am, C, D. Lembra da minha história? Vê um “A” e toca um “G”? As duas sequências acima são iguais. Com diferença de um tom.

Explicando rapidamente os acordes relativos, mencionados no início: Um acorde é relativo de outro quando as escalas que geram os dois acordes contém as mesmas notas. Por exemplo: C é relativo de Am. As escalas C e Am têm as mesmas notas. São escalas relativas.

Mas não se preocupe com isso agora. O que você quer mesmo saber é como tirar música de ouvido.

 

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