Acordes de violão
Shares

Tirar música de ouvido

Shares

Quando comecei a estudar violão, e lá se vão muitos anos, eu sequer pensava em certas coisas, como formação de acordes, escalas, etc. Eu só queria a parte bacana, que é tocar.

Isso é perfeitamente normal. Acredito que tenha ocorrido com você também.

Mas depois de algum tempo, as circunstâncias exigiram que eu aprendesse mais. Tocar numa banda, por exemplo, foi uma delas. Dar aulas… aí sim! Como dar aulas se você não sabe nada? Enfim… eu aprendi. E no final, aquilo que me parecia chato no início, revelou-se muito interessante.

Uma das minhas primeiras “descobertas” foi o tal do acorde relativo. Um amigo mencionou o termo como se fosse algo muito importante que eu deveria saber. Fiquei intrigado e fui buscar informações. Porque o sujeito sabia apenas que um acorde era relativo do outro e mais nada. Eu quis saber o porque.

Acredite… aquilo foi como um raio caindo em minha cabeça. Figurativamente, claro. Foi como abrir uma caixa lotada de conhecimento. É claro! Se existia aquilo… deveria existir mais. Saber o porque dos acordes relativos poderia não parecer grande coisa a outra pessoa. Mas para mim foi muito importante, pois me mostrou que havia um bocado de informação que poderia me ajudar a tocar melhor.

E mais… não só tocar melhor. Compreendendo como funcionavam as coisas, em pouco tempo eu já não dependia tanto de olhar as cifras para tocar uma música.

Você talvez não saiba, mas houve um tempo (e eu sou deste tempo) em que não havia celular. É claro que você sabe, estou brincando. Mas não havia. Nem celular, nem internet, nem… algo que todos nós usamos hoje em dia… os sites de cifras.

A coisa era muito complicada. O que havia eram revistas de cifras. Aí… veja a quantidade enorme de dificuldades:

  • Cada revista trazia uma dez, doze músicas. Ao gosto do editor. Muitas vezes não havia na revista sequer uma música que interessasse.
  • Antigamente a produção de material impresso era manual. E a pessoa que montava a revista provavelmente não era um músico. Então, aquelas letrinhas dos acordes não significavam muita coisa. E muitas vezes saiam erradas.
  • Era preciso comprar a revista! Para ter um acervo “enorme” de umas duzentas músicas (das quais noventa por cento não interessavam) era preciso gastar uma baita grana.

Está imaginando aí? Pois é… Só dificuldade.

Voltando aos nossos acordes relativos…

Eu, assim como diversos outros estudantes tínhamos à disposição poucos recursos, comparando-se com o que se tem hoje. E como a maioria de nós, pouca grana.

Depois da minha “descoberta”, ao invés de comprar revistas de cifras, eu comecei a estudar, com o que tinha às mãos. Um livro aqui, uma revista, uma dica…

E qual não foi a minha surpresa quando toquei uma música que nunca havia tocado… sem olhar revista nenhuma!

Êbaaaa! Tirei uma música de ouvido!!! E depois outra e mais outra. Muitas.

A dificuldade

Se você está curioso com o negócio dos acordes relativos, não se preocupe, depois eu explico. Agora vou falar só um pouco mais sobre “tirar música de ouvido”.

O que eu percebi foi que consultar sempre as cifras cria um estado mental. Eu lá sou psicólogo para explicar exatamente isso… Só sei que cria um hábito. Um círculo vicioso: música nova – site de cifras – tocar. Pense bem… é assim ou não é? Você escuta ali no rádio (isso é antigo… celular, então…) e gosta da música. Você sabe que a música é do Erasmo Carlos (vixi… forcei…). Vai lá no site de cifras…

Você acaba criando uma dependência. Que graças a Deus não é física, é mental. Mas não menospreze isso. É muito difícil desfazer, livrar-se do bloqueio criado. Quer ver? Duvido você não se identificar…

A cifra está bem ali, uns dois, três cliques adiante. Você pensa: “Pra que bater em porta aberta?”. Aí clica e pronto. “Amanhã mesmo vou tentar tirar uma sozinho…”. Identificou-se? Você fica meio frustrado, mas a recompensa vem logo. Em pouco tempo você “aprendeu” mais uma música.

É quase como um viciado mesmo. O dia de parar é sempre amanhã.

 

 

Share Button

Leave a Comment: