Acordes de violão
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Capotraste, tonalidade e conclusões precipitadas

capotrasteAlgum tempo atrás recebi um comentário no artigo sobre capotraste que é – no mínimo – precipitado. Apesar do comentarista ter sido precipitado em tirar conclusões sobre a minha – digamos assim – “capacidade técnica”, o comentário serviu para que eu me lembrasse que cada pessoa que lê os artigos do blog pode tirar conclusões erradas sobre qualquer coisa.

No caso específico, a pessoa concluiu, sem propriedade alguma, que eu não sabia como fazer transporte de tonalidade, e por isso utilizava o capotraste. Obviamente, esta pessoa equivocou-se não somente em uma coisa. Equivocou-se, em primeiro lugar a respeito deste blog. Ele provavelmente pensou que o artigo sobre capotraste foi escrito por um participante de fórum ou coisa assim. Quando a verdade é que todos os artigos deste blog são escritos por mim. Incluindo o artigo sobre transporte de tonalidade, escrito muito antes do artigo sobre capotraste.

 

Vamos então ao motivo deste artigo, que não é, em absoluto, falar sobre o comentarista equivocado:

Capotraste, tonalidade e…

Vamos aqui tentar dirimir algumas dúvidas que porventura possam estar em sua cabeça.

  1. Capotraste serve para transportar tonalidade? – Sim, serve. Mas na prática torna-se bastante complicado fazer transporte somente com capotraste. A idéia de que usando o capotraste não é necessário aprender as diversas posições de acordes para tocar violão é errada.
  2. Um músico profissional usa capotraste? – É claro que sim. Não há nada de vergonhoso em usar o capotraste. O fato de usar capotraste não quer dizer que o músico seja incompetente. Muitas vezes ele quer obter um efeito diferente, ou quer, propositadamente usar posições diferentes para os acordes, coisas assim. Você pode observar em DVDs ou videos de muitos artistas que em algumas ocasiões os violonistas e guitarristas usam o capo. Aqueles caras são profissionais, caramba. Jamais estariam ali se não soubessem sequer transportar tonalidade.
  3. Afinal, transporte de tonalidade (sem capo) é difícil? – Em absoluto. Não é difícil. Se alguém lhe tentar colocar na cabeça a idéia de que transporte de tonalidade é coisa para profissionais, experts do violão, mande passear. Para fazer o transporte de qualquer tonalidade para outra, porém, é necessário conhecer, em primeiro lugar, o braço do violão. Em segundo lugar, os acordes das diversas tonalidades. E em terceiro lugar, é preciso compreender como funciona a escala cromática. E nenhum destes três tópicos é difícil. Apenas leva certo tempo para treinar os diversos acordes.
  4. Então, o capotraste não é uma “muleta” para quem não sabe acordes nem transporte de tonalidade? – Não. O capotraste é um recurso que bem utilizado pode ter muita serventia. E como já disse, quem quer estudar mesmo violão não deve aprender só meia dúzia de acordes e ficar usando o capo para transportar. Mas pode sim, usar o capo, sem problema algum.
  5. Um iniciante em violão pode usar capotraste? – Pode, mas não como se fosse parte do estudo. Suponhamos que você tenha aprendido somente três ou quatro acordes. Aí vai lá no site de cifras e encontra uma música com acordes diferentes. Digamos, um tom acima da sequencia de acordes que ele sabe. Nada impede que use o capotraste para tocar com os acordes já aprendidos. Mas isto não significa que ele não deva continuar seus estudos, aprendendo novos acordes.
  6. O Bruno (eu) usa muito o capotraste? – É curioso… eu tenho diversas músicas gravadas, nas quais toco todos os instrumentos, incluindo violão e guitarra. Em nenhuma – repito – nenhuma delas uso o capotraste. Jamais também toquei ao vivo com capotraste. Ou seja, não tenho costume de usar capotraste. O que também não quer dizer absolutamente nada. Quer apenas dizer que seja qual for a tonalidade, prefiro tocar o violão sem capo. Mas depois que fiz algumas experiencias, percebi que podia ter incrementado um pouco minhas gravações usando o capo.
  7. O capotraste enriquece odesempenho do músico? – Na minha opinião, sim. Usado com criatividade dá versatilidade ao músico. Mas é preciso compreender bem a mecânica da coisa e usar com inteligência.

Enfim, aí está minha idéia sobre este assunto. Ficar radicalmente contra o uso do capotraste é como ficar radicalmente contra qualquer coisa. Radicalismo, na maioria das situações, não funciona. É preciso ter a mente aberta. Ficar contra o capotraste é quase como ficar contra quem não toca guitarra com palheta (ou vice-versa). Eu já vi isso também: “guitarra se toca é com palheta”. Ora, um dos maiores guitarristas do mundo não usa palheta. Quem é? Mark Knopfler, da banda Dire Straits. Por outro lado, aferrar-se ao uso do capotraste em toda e qualquer situação, também é radicalismo. Radicalismo da preguiça. Pense nisso…

Siga os links abaixo para saber mais sobre transporte de tonalidade e capotraste:

transporte de tonalidade

http://acordesdeviolao.com.br/videos-2/capotraste/

http://acordesdeviolao.com.br/2010/02/06/como-usar-um-capotraste-2/

 

 

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