Todo guitarrista, profissional ou não, pode aprender a regular sua própria guitarra. Qualquer guitarra precisa de regulagem. Guitarras têm partes móveis que recebem uma regulagem padrão de fábrica, a qual nem sempre é a regulagem ideal, ou a regulagem que o guitarrista necessita.
Nada contra a regulagem feita na fábrica. Seria praticamente impossível a uma fábrica regular minuciosamente cada guitarra. E mesmo que o fizessem, jamais conseguiriam agradar a todos.
Partes da guitarra que necessitam de regulagem
- Tensor – Este é um bicho-papão para uns e outros por aí. Sabe-se porque cargas d’água existe uma espécie de “aura”, um mito sobre o tensor. E algumas pessoas gostam, adoram espalhar mitos e boatos. O mito consiste em que, ao se tentar regular o tensor de uma guitarra, é muito fácil quebrar o tensor. O que seria – e isto não é mito, é verdade – um grande problema. Acontece que o tensor é uma haste metálica que corre dentro do braço da guitarra (ou violão). Em qualquer parte que um tensor quebrar, o conserto é muito difícil. Mesmo espanar a parte do tensor em que se encaixa a chave para regulagem é um problemão. Entretanto, a quebra do tensor nao é tão fácil assim. Aliás, é muito difícil quebrar um tensor fazendo a regulagem corretamente. É claro que se alguém for mexer por mexer e ficar dando voltas e mais voltas no tensor, pode acabar por quebrá-lo. Mas a regulagem em si consiste – na maioria dos casos – em 1/4 de volta, 1/2 volta. O que não quebra tensor algum. Porém, os espalhadores de conversa fiada ficam tagarelando e dando a impressão de que nem se deve encostar a mão no tensor. Isso é pura besteira. Utilizando a chave correta e fazendo a regulagem também correta, não se quebra tensor algum. Uma pequena ressalva deve ser feita a instrumentos velhos, que nunca foram regulados. neste caso, o tensor pode estar preso, “emperrado”, até mesmo oxidado. Aí, sim, é preciso cuidado. Jamais force a barra. Tente virar normalmente, sem colocar muita força. Se não conseguir, hora de procurar ajuda.
- Ação – A ação da guitarra é a altura das cordas em relação ao braço. As guitarras já possuem parafusos para esta finalidade, junto à ponte. Nos modelos tipo Gender, a regulagem é feita corda por corda. Cada corda possui um “carrinho” que a suporta o qual se deve regular para subir ou descer a ação da corda. Nos modelos tipo Gibson, a ação é regulada somente em dois parafusos, um do lado das cordas mais agudas e outro do lado das cordas mais graves. Esta regulagem é mais simples do a das guitarras tipo Fender.
- Captadores – Quanto aos captadores, trata-se apenas de regulagem da altura dos mesmos em relação às cordas. Os captadores possuem parafusos para esta finalidade. A regulagem vai do gosto ou necessidade do músico. Não se deve achar que “quanto mais perto das cordas, melhor”. Isso não funciona assim. Há uma distancia mínima em que os captadores reproduzem o som das cordas satisfatoriamente. Ou seja, mais perto do que esta distancia, irá causar zumbidos, distorção. Muito longe também é ruim, porque irá diminuir a potência da captação. Mas não é muito difícil conseguir um bom resultado, basta ouvir, testar. É possível também deixar o captador mais próximo de um dos dois lados (agudo ou grave), dependendo do estilo e do efeito que se quer obter.
- Trêmolo – Guitarra com alavanca necessitam de regulagem do trêmolo. Via de regra, em trêmolos do tipo usado nas guitarras Fender Strato, basta deixar a base do trêmolo paralela com o corpo da guitarra, sem encostar. É possível também retirar ou acrescentar molas (na parte de trás da guitarra), para deixar a ação do trêmolo mais suave ou mais dura.
- Oitavas – Esta é a última regulagem que você deve fazer. Jamais regule as oitavas antes de tensor, trêmolo e ação. Porque estas regulagens influem nas oitavas. Melhor dizendo: desregulam as oitavas. Por outro lado, fazer estas três regulagens (tensor, trêmolo e ação) e não regular as oitavas, também está errado. Neste caso, suas oitavas ficarão desreguladas. A regulagem de oitavas é relativamente simples, executada através de parafusos na ponte da guitarra. E consiste em fazer com que cada corda soe a mesma nota tanto solta como na casa 12. Evidentemente, na casa 12 a nota soará uma oitava acima da corda solta. Em alguns casos, devido a problemas em alguma parte da guitarra, ou mesmo pequenos defeitos de fabricação, não se consegue uma regulagem exata. Se a difereça for muito pequena, não há problema. Se for grande, chegando a meio tom, é preciso verificar o que há de errado com a guitarra, pois neste caso, haverá diferenças inaceitáveis em vários lugares do braço da guitarra, tanto em notas isoladas como em acordes.
Certo. Aí estão os itens a serem regulados numa guitarra. O porém aí, é como fazer isso. Se você sair “regulando” de qualquer maneira, vai se dar mal. Provavelmente vai terminar com algo pior do que começou. Porque desregular é mais fácil que regular.
Não que seja difícil. Basta saber o que, quando e como fazer. A sequencia de regulagem é esta acima descrita. Mas cada etapa tem suas regras, suas características, especificações. É quase como inflar o pneu do carro sem ter idéia de quanto ar se deve colocar, nem de quanto ar se está colocando. Podem acontecer três coisas: 1) o pneu fica mucho; 2) o pneu fica muito cheio, duro; 3) O pneu estoura. No caso da guitarra, é quase isso. Se você vira um parafuso até que se acabe a rosca e continua virando, vai espanar a rosca. Se vira para o lado errado está desregulando. E assim por diante.
Aí, muitos dizem: “ah, não… isso é muito difícil!”. Eu digo que não. Sabendo o que se deve fazer em cada etapa, em menos de uma hora a guitarra está regulada. E – garanto – uma guitarra bem regulada fica muito melhor para se tocar.
Como aprender a regular uma guitarra
Eu só posso dizer como foi que eu aprendi. Li muita coisa (em inglês) na internet. Comprei um manual de um bom luthier (Dan Erlewine). Catei minha guitarra e fui testando o que aprendi. Li mais. Assisti videos. Catei a guitarra novamente. Basicamente foi isso. Parece muito simples agora, mas não foi bem assim. Como eu não sabia nada, não tinha muita certeza do que estava fazendo. Quando finalmente compreendi tudo o que havia lido e visto, resolvi sintetizar isso no
Manual de regulagem de guitarra
Escrevi este manual há pouco mais de dois anos, usando uma linguagem bastante acessível, sem muitas tecnicidades e firulas. O manual simplesmente diz o que você deve fazer e que resultados deveria obter. Simples e direto. Todos os manuais vendidos nestes pouco mais de dois anos, deram resultado. Quem comprou aplicou as instruções e – sem maiores problemas – regulou sua guitarra. Porque o manual não deixa margem para dúvidas. E o resultado é palpável. Eu senti isso em minhas guitarras.
Para que você tenha idéia, eu tinha uma guitarra Epiphone, a qual – evidentemente – jamais havia sido regulada. Quando comecei a checar a guitarra para ver o que precisava ser regulado, cheguei a pensar que o tensor estava quebrado. Não estava. Estava – desde que comprei a guitarra – completamente frouxo, solto. Ou seja, não estava exercendo sua função que é a de tensionar o braço no sentido oposto ao das cordas. Qual era o efeito disso? Um braço que parecia um arco, completamente ao sabor da tensão das cordas.
Seria muito difícil a guitarra simplesmente soltar o tensor desta maneira por si só. Provavelmente veio assim de fábrica. Fiz uma regulagem completa nesta guitarra, inclusive retificando levemente alguns trastes, refixando tarraxas, etc. Quem te viu e quem te vê! Ficou uma belezura.
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Manual de regulagem de guitarra! 
O que uma boa regulagem pode fazer pela sua guitarra
Muitas vezes uma guitarra que parece “uma porcaria” não é. Bem, guardemos as devidas proporções… Tem guitarra que é porcaria mesmo. Mas nem sempre aquela guitarrinha que não é daquela marca famosa é ruim. Com alguns cuidados e uma boa regulagem, pode ficar bem “tocável”.
Acontece que em muitos casos, por falta de conhecimento, a gente simplesmente pega o instrumento, faz o básico, que é trocar as cordas e afinar e pronto. O que acontece então? A guitarra dura (ação alta), não pega afinação direito (oitavas desreguladas), trasteja (tensor muito apertado ou ação muito baixa), produz zumbidos e distorção (captadores muito próximos às cordas), perde afinação quando se usa o trêmolo (trêmolo desregulado), e assim por diante. É claro que uma guitarra assim… dá mais é raiva, certo?
Aí você vende a guitarrinha, coitada, por preço de banana e investe uma boa grana numa “guitarra boa”. E fica todo feliz. Mas logo percebe que existem algumas semelhanças entre as duas. E acaba pensando que comprou gato por lebre. Ou que fez um mau negócio. Ou que todas as guitarras são assim e você é que não sabe tocar.
Por isso, antes de dar um pontapé em sua guitarra atual, dê a ela uma chance. Uma boa limpeza, cordas novas e a regulagem podem fazer com que você nunca mais abandone sua guitarra de estimação.
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