Tocando violão a rumo

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Algum tempo atrás, estava eu programando mais um final de semana ocioso, daqueles em que a gente até se cansa de não fazer nada, quando toca o telefone. Não sei nada do seu, mas o meu telefone quando toca fora de hora, é bananosa.

E era mesmo. Um amigo me convidava para entrar numa tremenda gelada. Havia um evento em sua igreja, chamado de “encontro de casais”. É um grande evento, que muitas igrejas fazem, que dura dois ou três dias.

Acontece que entre as muitas atividades do evento, há uma “bandinha” que segue os casais pra todo lado, tocando diversas músicas. E qual é o instrumento da banda? Violão, é claro. É portátil, versátil e mais alguns “átil” que não me ocorrem agora.

O sujeito me convida para tocar no evento, junto com outros dois ou três caras, e mais uma “renca” de gente cantando. Esta seria a tal “bandinha”.

Eu tentei argumentar, mas não adiantou. Quase menti, dizendo que tinha um compromisso (de três dias…). Não adiantou.

Acontece que tem uns caras que tocam direto em igrejas, e conhecem um bocado de músicas, de cor e salteado. Mas não eu. Não toco em igreja, nem banda, nem boteco. Sei tocar um montão de músicas, mas daquelas que seriam tocadas no evento, talvez umas duas, três…

Resultado: lá fui eu, completamente enferrujado, sem saber de nada. Cheguei lá, não havia começado o evento e dois sujeitos estavam tocando violão. “São meus companheiros” – pensei.

Eram. Os dois e mais um. Quatro violões. Eu estava era preocupado, por não ter a mínima idéia do que teria que tocar. Já cheguei dizendo a verdade, que não conhecia as músicas e teria que ir tocando a rumo. Tipo: “me diz o tom, que eu me viro”.

O que ocorreu a seguir, foi de lascar. Os caras estavam esperando que eu (ou alguma outra vítima) chegasse sabendo as músicas. Muito bonito! Estávamos todos no mesmo barco. Um barco furado. Ninguém sabia nada!

Chegou o quarto “instrumentista”. Conversamos e ficamos sabendo que juntando as músicas que cada um sabia, ainda ficavam faltando quase todas. Tempo para ensaio: dez minutos. Uma beleza. E nem cerveja tinha.

Sou da escola “o que não tem remédio, remediado está”. Partimos para a briga. No meio da tal bandinha havia gente que sabia cantar todas as músicas necessárias ao evento. Menos mal. A gente pegava o tom e mandava bala.

Não sei se me explico direito. São umas vinte pessoas cantando e quatro infelizes tocando violão. Nome do filme: “Em busca do acorde perdido”. Aquilo virou uma confusão que eu vou te contar.

Eu bem que tentei, por diversas vezes, dizer: “o tom é dó maior” ou “eles estão cantando em sol”. Mas não adiantou. Outro dizia: “esta música é si bemol”. Vê lá se isso é hora pra me vir com bemóis e sustenidos!

De vez em quando dava um alívio. Uma música que todos sabiam. Aí a coisa andava.

A determinada altura do campeonato, reparei que a gente estava sofrendo à toa. Os “cantores” estavam defecando e caminhando para a tonalidade da música, o som dos acordes, as sétimas, nonas e décima-primeiras. Eles simplesmente cantavam. E a gente tocando violão. Pra quê, pra quem e porque, confesso que não sei até hoje.

Foi aí que tive uma idéia digna de um jerico. Chamei os caras num canto e propus: “vamos tocar cada um num tom, digamos… aquele que nos der na telha, pra ver que bicho dá”. Assim fizemos, na próxima música e…

Tudo continuou como antes! O povo cantava e cantava. Uma música atrás da outra. Que coisa maravilhosa! Que bandinha mais afinadinha! “Coi di lôco”!

A partir daí, a coisa engrenou. Quatro felizes músicos tocando violão. Um em C, outro em G, o terceiro em A e outro em… sabe-se-lá-o-quê.

Como sou mais preguiçoso, escolhi tocar o tempo todo em C. Nem me incomodava em mudar para outro tom qualquer. Isso é que se chama “tocando violão a rumo”. O resto é conversa!

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6 Responses to Tocando violão a rumo

  1. andre says:

    que fria heim companheiro? aqui na minha igreja as vezes o pastor nos pega de surpresa pedindo alguma musica que nao conhecemos direito,ae é igual vc diz,tocar a rumo…huahuahua!!!

    • Bruno says:

      Valeu, André. Obrigado pela visita e comentário. Mas é assim mesmo, vivendo e aprendendo. Conheci gente que tem uma memória praticamente fabricada sob encomenda, no que se refere a tocar músicas. Garanto que não sou um deles. Cada qual se defende como pode. Tocar qualquer música de bate pronto definitivamente não é pra qualquer um. Mas dando para o gasto já quebra um galho…

  2. fabio lopes diniz says:

    cara tu e muito bom cara !!!

    • Bruno says:

      Ola, Fabio. Legal que você gostou do que leu. Não tenho a pretensão de ser tão bom assim… ah, vá lá. Tenho sim, rerere. A intenção, na verdade, é ser bom o suficiente para satisfazer a quem lê. Um grande abraço.

  3. renato says:

    vc disse: Eles simplesmente cantavam. E a gente tocando violão. Pra quê, para quem e porque, confesso que não sei até hoje… lendo o q vc escreveu sabe pra que, para quem e porque?! porque ali prestavam louvores para Deus e como diz na palavra Dele “Tudo que tem folego louve ao Senhor”.. porque uma musica à Deus, não é apenas uma musica.. é uma forma de adoração!.

    • Bruno says:

      Olá Renato. Se eu não soubesse disso, nem sequer teria participado deste evento. Você está usando texto fora do contexto. É óbvio ululante que cantávamos para Deus. A frase que você mencionou pode não ter sido a melhor possível, mas não se refere ao que você acha que se refere. Serviu apenas para ilustrar a situação em que nos encontrávamos. Texto fora do contexto, é pretexto. Um abraço.

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